Porque é que o verão aumenta os riscos de intoxicação alimentar?
Com a chegada do calor, é comum vermos refeições ao ar livre, piqueniques, idas à praia ou churrascos em família. No entanto, o aumento das temperaturas cria as condições ideais para a proliferação de bactérias, fungos e microrganismos nos alimentos — especialmente quando não são conservados corretamente.
Segundo a Direção-Geral da Saúde, a maioria dos surtos de intoxicação alimentar em Portugal ocorre nos meses de verão, e os casos mais comuns estão associados a alimentos que, à primeira vista, parecem seguros.
Alimentos comuns que escondem perigos no calor
Abaixo estão alguns dos alimentos mais frequentemente envolvidos em casos de intoxicação alimentar no verão. Todos são populares, mas exigem cuidados redobrados com o armazenamento, preparação e consumo:
1. Ovos mal cozinhados ou crus
- Usados em molhos como maionese caseira ou sobremesas tipo mousse.
- Podem conter Salmonella, especialmente se não refrigerados adequadamente.
2. Arroz e massas deixados à temperatura ambiente
- Quando cozinhados e deixados fora do frigorífico, desenvolvem a bactéria Bacillus cereus, que provoca vómitos e diarreias.
3. Carnes mal passadas ou grelhadas por fora, cruas por dentro
- Principalmente frango, carne de porco ou hambúrgueres.
- Risco de Salmonella, Listeria e E. coli.
4. Marisco e peixe mal conservados
- Alimentos altamente perecíveis e sensíveis à cadeia de frio.
- Podem causar intoxicações graves como a ciguatera ou escombroidose.
5. Queijos frescos e lacticínios fora do frio
- Ricos em água e proteína, são o ambiente ideal para o crescimento de Listeria monocytogenes.
6. Frutas cortadas que ficam muito tempo ao ar
- A banana, o melão e a melancia cortados são hospedeiros de microrganismos quando deixados em temperaturas altas.
Sintomas mais frequentes de intoxicação alimentar
Os sinais podem surgir de algumas horas a até 2 dias após a ingestão do alimento contaminado:
- Náuseas e vómitos
- Diarreia (muitas vezes líquida)
- Dores abdominais
- Febre ligeira a moderada
- Cansaço e desidratação
Em casos mais graves, pode haver sintomas neurológicos ou infeções invasivas, especialmente em crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas.
Como evitar intoxicações alimentares no verão?
A boa notícia é que a maioria dos casos pode ser evitada com medidas simples de higiene e conservação:
- Mantenha os alimentos refrigerados abaixo de 5 °C, especialmente ovos, carnes, peixes e lacticínios.
- Cozinhe bem os alimentos, evitando carnes cruas ou mal passadas.
- Não deixe comida pronta fora do frio por mais de 2 horas — no verão, reduza para 1 hora.
- Evite consumir mariscos crus ou comprados de fontes desconhecidas.
- Lave bem as mãos e utensílios antes, durante e após a preparação dos alimentos.
- Transporte alimentos perecíveis em caixas térmicas ou com gelo, principalmente em viagens ou piqueniques.
Conclusão: a segurança alimentar também tira férias?
Não deve. No verão, os cuidados com o que comemos devem ser redobrados. Muitos alimentos tidos como “seguros” podem tornar-se riscos escondidos, principalmente se o calor for ignorado como fator de contaminação.
A regra de ouro? Se tiver dúvidas, não consuma. A prevenção é sempre melhor do que tratar uma intoxicação alimentar.
💡 Partilhe este artigo com familiares ou amigos que adoram piqueniques e churrascos — a saúde pode depender de pequenos cuidados diários.