
18 de Julho de 2025
Jejum intermitente é mesmo saudável? A verdade segundo a ciência
O jejum intermitente tem ganho cada vez mais destaque nos últimos anos, não apenas como uma estratégia para perda de peso, mas como uma possível aliada da saúde metabólica e longevidade. Mas afinal, será que esta prática é realmente saudável? O que diz a ciência por trás da tendência?
Neste artigo, reunimos os principais estudos e evidências sobre o jejum intermitente, os seus benefícios, riscos e as condições em que pode (ou não) ser uma boa escolha.
O que é o jejum intermitente?
O jejum intermitente não é uma dieta no sentido tradicional. É um padrão alimentar que alterna períodos de alimentação com períodos de jejum.
Os métodos mais comuns incluem:
- 16:8 – jejum de 16 horas, com janela de alimentação de 8 horas por dia
- 5:2 – alimentação normal 5 dias da semana e restrição calórica (cerca de 500–600 kcal) nos outros 2 dias
- 24h ou mais – jejum completo 1 ou 2 vezes por semana
O que acontece no corpo durante o jejum?
Quando o corpo entra em jejum, há uma mudança significativa na forma como usa energia:
- Redução dos níveis de insulina no sangue
- Aumento da libertação de hormonas como a norepinefrina, que acelera a queima de gordura
- Mobilização de reservas de glicogénio e posterior uso de gordura como fonte principal de energia
- Aumento da autofagia celular — um “mecanismo de limpeza” natural do organismo
Estes efeitos explicam grande parte dos benefícios atribuídos ao jejum intermitente.
Benefícios comprovados segundo a ciência
Vários estudos, em humanos e em modelos animais, indicam que o jejum intermitente pode trazer benefícios como:
✔️ Redução do peso corporal e gordura visceral
- Especialmente eficaz quando combinado com alimentação equilibrada e atividade física
✔️ Melhoria da sensibilidade à insulina
- Ajuda a estabilizar os níveis de açúcar no sangue
- Pode ser útil em casos de pré-diabetes e resistência à insulina
✔️ Redução de inflamação crónica
- Estudos mostram redução de marcadores inflamatórios após 2 a 4 semanas
✔️ Potencial neuroprotetor
- O jejum pode favorecer a produção de BDNF (fator neurotrófico), associado à saúde cerebral e proteção contra doenças neurodegenerativas
✔️ Aumento da longevidade (em modelos animais)
- Estudos com roedores mostram que o jejum intermitente pode prolongar a vida útil e reduzir o risco de doenças relacionadas à idade
Mas... é saudável para todos?
Apesar dos benefícios, o jejum intermitente não é adequado para todas as pessoas. Existem casos em que pode trazer riscos ou desconforto:
- Pessoas com histórico de distúrbios alimentares (como bulimia ou anorexia)
- Gestantes, lactantes e crianças
- Quem tem diabetes tipo 1 ou toma medicamentos hipoglicemiantes
- Indivíduos com problemas gastrointestinais ou doenças renais
Além disso, muitas pessoas reportam sintomas como fadiga, irritabilidade, dores de cabeça e dificuldade de concentração nas primeiras semanas — especialmente se não houver adaptação alimentar adequada.
O que a ciência ainda está a investigar?
Embora muitos estudos sejam promissores, ainda há limitações e lacunas:
- A maioria das pesquisas é de curto prazo
- Faltam mais estudos com populações femininas (a resposta hormonal pode ser diferente)
- Os efeitos a longo prazo sobre o metabolismo, fertilidade e função cognitiva ainda estão a ser analisados
Conclusão: o jejum intermitente é saudável?
Sim, pode ser saudável, desde que seja feito com consciência, acompanhamento e adequado ao seu estilo de vida.
O jejum intermitente não é uma solução mágica, mas pode ser uma estratégia eficaz para quem procura melhorar a saúde metabólica, controlar o peso e otimizar a energia diária.
Antes de iniciar, é essencial consultar um profissional de saúde, especialmente se tiver alguma condição clínica ou estiver a tomar medicamentos — e conte com a Misericórdias Saúde para o ajudar.
💬 O corpo é único — e aquilo que funciona para uns pode não ser o ideal para outros.

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