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Birras, medos e ansiedade infantil: o que é normal e o que não é?

29 de Julho de 2025

Birras, medos e ansiedade infantil: o que é normal e o que não é?

O desenvolvimento emocional da criança é um processo natural, cheio de altos e baixos. Quem convive com crianças já presenciou, e muitas vezes com preocupação, episódios de birras intensas, medos aparentemente sem motivo ou comportamentos de ansiedade.

Mas afinal, quando é que esses comportamentos fazem parte do crescimento saudável e quando é que podem indicar algo que merece maior atenção?

Birras: explosões normais ou sinal de alarme?

As birras (ou “crises de raiva”) são comuns entre os 1 e os 4 anos de idade. Nesta fase, a criança está a desenvolver autonomia, linguagem e noção de limites — o que nem sempre é fácil de expressar.

✅ O que é esperado:

  • Acontecem quando a criança está cansada, frustrada ou contrariada.
  • Podem incluir choro, gritos, atirar objetos ou deitar-se no chão.
  • Passam em minutos e diminuem com o tempo e o reforço positivo.

⚠️ Sinais de alerta:

  • Birras que duram mais de 15–20 minutos com frequência.
  • Agressividade física constante (morder, bater, magoar-se).
  • Criança não consegue acalmar-se mesmo com ajuda de um adulto.
  • Interferência nas relações familiares ou escolares.

Medos infantis: fazem parte do crescimento?

Ter medo é natural e esperado, é uma forma de proteção. No entanto, os tipos de medo mudam conforme a idade e o desenvolvimento cerebral.

✅ Medos comuns por idade:

  • 0–2 anos: barulhos altos, separação dos pais.
  • 3–6 anos: monstros, escuro, seres imaginários.
  • 7–12 anos: medo de acidentes, morte, desempenho escolar.

Com o apoio dos adultos, a maioria desses medos desaparece gradualmente.

⚠️ Quando o medo é preocupação:

  • Medos que não desaparecem ou aumentam com o tempo.
  • Evitação extrema (não sai de casa, não dorme sozinho, chora só ao ouvir uma palavra associada ao medo).
  • Sintomas físicos frequentes: dor de barriga, tremores, taquicardia.
  • Dificuldade em frequentar a escola ou socializar.

Ansiedade infantil: muito além do “nervosismo”

A ansiedade é a emoção da antecipação — todos sentimos em situações novas ou desafiantes. Mas na infância, a ansiedade patológica pode surgir mais cedo do que se pensa.

Estudos indicam que 1 em cada 8 crianças apresenta sinais de transtornos de ansiedade, que podem interferir no desenvolvimento emocional, escolar e social.

Possíveis sinais de ansiedade infantil:

  • Medo persistente de separação ou perda dos pais.
  • Necessidade excessiva de aprovação ou perfeição.
  • Queixas físicas recorrentes sem causa médica clara.
  • Rigidez nas rotinas (rituais para dormir, medo exagerado de errar).
  • Preocupações constantes e desproporcionais ao contexto.

O papel dos pais e educadores

A resposta emocional dos adultos influencia diretamente a forma como a criança aprende a lidar com os seus sentimentos. É importante:

  • Validar os sentimentos (“Sei que estás assustado. Estou aqui contigo.”)
  • Evitar punições exageradas durante birras — oferecer contenção e empatia.
  • Estimular a comunicação emocional desde cedo (“O que sentiste quando isso aconteceu?”).
  • Estabelecer rotinas e limites consistentes.

Quando procurar ajuda?

A ajuda de um psicólogo infantil pode ser essencial quando:

  • Os comportamentos impedem a criança de viver normalmente.
  • Os sintomas duram mais de 4 a 6 semanas.
  • Há impacto significativo no sono, apetite, escola ou relações familiares.
  • Os pais sentem-se esgotados ou incapazes de lidar com a situação.

Conclusão: crescer não é linear

Birras, medos e momentos de ansiedade são normais em muitos momentos do desenvolvimento infantil. Mas nem sempre devem ser ignorados. Observar, escutar e, quando necessário, intervir com ajuda especializada pode fazer toda a diferença na vida da criança.

💡 Se tiver dúvidas, converse com o pediatra ou psicólogo. Cuidar da saúde emocional das crianças é tão importante quanto cuidar da saúde física.


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